Agosto Lilás nas empresas: conscientizar é importante. Mas não basta.
Em agosto, diversas empresas se engajam em campanhas do Agosto Lilás de conscientização sobre a violência doméstica. Mas será que essas ações são suficientes?
Ana Paula Braga e Rebeca Servaes
7/23/20262 min read


Durante o mês de agosto, milhares de empresas aderem ao Agosto Lilás promovendo campanhas internas, palestras e publicações nas redes sociais. Essas iniciativas são importantes para dar visibilidade ao enfrentamento da violência contra a mulher e estimular o diálogo sobre um tema que ainda é cercado por silêncio e estigmas.
No entanto, existe uma pergunta que poucas organizações fazem:
A nossa empresa está preparada para agir quando uma colaboradora vivencia uma situação de violência?
Essa reflexão marca a diferença entre uma campanha de conscientização e uma estratégia efetiva de prevenção e acolhimento.
Pois a violência contra a mulher também chega ao ambiente de trabalho
Embora a violência geralmente aconteça fora da empresa, seus impactos atravessam a vida profissional.
Uma colaboradora em situação de violência pode apresentar dificuldades de concentração, aumento do absenteísmo, queda de produtividade, alterações de comportamento, problemas de saúde física e emocional e até riscos à própria segurança no ambiente de trabalho.
O erro mais comum durante o Agosto Lilás
É comum que empresas concentrem seus esforços em ações pontuais, como uma palestra, uma campanha interna ou uma publicação nas redes sociais.
Essas iniciativas têm valor, mas, isoladamente, não garantem que a organização esteja preparada para responder quando uma situação real acontecer.
Se uma colaboradora procurar seu gestor amanhã para relatar que está sofrendo violência, a liderança saberá como agir?
O RH conhecerá os encaminhamentos adequados?
Existe um fluxo interno definido?
Há clareza sobre quem deve ser acionado e como preservar a confidencialidade?
Se essas perguntas ainda não têm respostas claras, o Agosto Lilás representa uma oportunidade para iniciar essa construção.
Como transformar conscientização em ação
Mais do que promover uma campanha, organizações podem aproveitar o mês de agosto para fortalecer suas práticas internas.
Algumas iniciativas incluem:
capacitar lideranças para o acolhimento inicial;
orientar equipes de RH sobre fluxos de atendimento;
revisar políticas internas e canais de apoio;
divulgar informações sobre a rede de proteção às mulheres;
incentivar uma cultura organizacional baseada no respeito e na confiança.
Essas medidas não exigem que a empresa substitua os serviços especializados ou assuma responsabilidades que cabem ao poder público. Seu objetivo é garantir que a organização saiba acolher, orientar e encaminhar de forma segura e responsável.
O legado que fica depois de agosto
Campanhas de conscientização terminam.
Uma cultura organizacional preparada permanece.
O verdadeiro impacto do Agosto Lilás não está apenas nas ações realizadas durante um mês, mas nas mudanças que elas deixam para o restante do ano.
Quando empresas investem na preparação de suas lideranças, na definição de fluxos de acolhimento e na construção de ambientes seguros, contribuem para que colaboradoras encontrem apoio justamente em um dos espaços onde passam grande parte de suas vidas.
Esse é o tipo de transformação que gera impacto para as pessoas e fortalece a própria organização.
Ao longo do Agosto Lilás, a Equalia publicará uma série de conteúdos práticos para ajudar empresas a transformar conscientização em ação. Acompanhe nossa página e não perca os próximos materiais.
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